O Conselho Federal de Medicina (CFM) alertou para dois projetos de lei em análise no Congresso Nacional que podem criminalizar procedimentos médicos relacionados ao parto. As propostas preveem penas de até 15 anos de prisão para médicos.
De acordo com o CFM, os textos podem gerar insegurança na assistência obstétrica e afetar decisões urgentes no momento em que mãe e bebê mais precisam de atendimento.
O conselheiro federal Ademar Augusto afirmou que o PL 2.373/2023 e o PL 1.763/2025 transformam atos médicos em potenciais crimes com base em conceitos vagos e subjetivos.
“Na prática, isso cria um ambiente de insegurança na sala de parto e deixa mãe e bebê em situação de risco. Procedimentos e intervenções emergenciais podem ser criminalizados. Equipes com capacidade técnica para agir passarão a hesitar diante de condutas necessárias”, disse Augusto.
Para o CFM, o Brasil já possui mecanismos legais para punir negligência, imprudência e imperícia. A criação de novos tipos penais não amplia a proteção à mulher e pode comprometer o acesso à assistência segura, segundo a autarquia.
“O CFM é contrário a esses projetos. Criminalizar a obstetrícia compromete a atuação médica e coloca em risco toda a sociedade. Proteger a mulher e o bebê é garantir acesso à assistência qualificada, com equipes capacitadas e responsabilidade técnica para agir com segurança”, concluiu o conselheiro.
O CFM também disponibilizou um vídeo com a posição completa sobre o assunto. A entidade reforça que a criminalização de atos médicos pode levar à hesitação de equipes em emergências, prejudicando o atendimento no parto.
